Gráficas pedem redução de imposto

Publicado em 13/07/2018 por Valor Online

Gráficas pedem redução de imposto

Diante do aumento de mais de 20% nos preços dos papéis neste ano, o setor gráfico quer retomar conversas com o governo federal em torno de um pleito que não é novo: a redução da alíquota de importação de papéis de imprimir e escrever. As gráficas também pedem a adoção de outras medidas que tragam algum fôlego ao setor, que está em crise desde 2012.

Desde janeiro do ano passado, segundo a regional de São Paulo da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf-SP), o reajuste médio supera 40%. O papel representa mais da metade dos custos da maior parte dos produtos e os segmentos mais afetados foram embalagens, editorial e cadernos. "Não há como não repassar esse aumento para o cliente, aumentando a conta para o consumidor final", diz em nota o presidente da entidade, Sidney Anversa Victor.

A trajetória de alta dos papéis, que também ocorre no mercado internacional, reflete principalmente a forte valorização da celulose. No Brasil, que é um dos maiores produtores de celulose do mundo, os preços da matéria-prima são calculados a partir da cotação na Europa, na terceira semana do mês anterior, e convertidos para o real pelo câmbio médio no mês anterior. Diante disso, a desvalorização cambial também pesa no bolso das gráficas.

Para a Abigraf-SP, a magnitude do aumento justifica uma ação do governo. "O governo deve agir e cumprir a sua função de agente regulador no mercado quando ocorram distorções significativas, assim como fez na recente crise dos preços dos combustíveis, para que o abastecimento do mercado brasileiro tenha como base os custos internos de produção de celulose e papel", diz em nota.

Diante disso, empresários do setor querem retomar a agenda de negociação com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) relativa ao imposto de importação, que resultaria em revisão da política de preços dos fabricantes locais, segundo as gráficas. "A indústria do papel é um oligopólio e sem a intervenção do governo haverá reflexos na inflação em curto prazo", afirma Victor.

Como alternativa, a Abigraf-SP propõe a redução da carga tributária incidente sobre os papéis comerciais. Essa iniciativa coibiria o desvio do papel imune, que é isento de tributos mas deve ser usado exclusivamente para livros, jornais e periódicos. Volume considerável de papel imune ainda é desviado para produção comercial.