Uma juventude anarcocapitalista

Publicado em 16/02/2018 por Valor Online

O físico Fernando Puglia se diz anarcocapitalista, "que vai além de ser liberal" A imagem de uma barra de ouro desponta projetada na tela, ao centro da sala. Qual é seu valor? O que se pode comprar com ela? Como definir o que é dinheiro? Dinheiro é adjetivo ou substantivo? Perguntas acompanham as imagens e são seguidas por reflexões do professor sobre a origem do dinheiro, teorias monetárias e criptomoeda. Um aluno deixa escapar em voz alta uma inquietação. Não havia compreendido bem a diferença entre moeda e dinheiro. "Chegou atrasado, né? A gente sabe, você fez Unicamp. Tá tudo certo. Tinha que ser o sindicalista", dispara um colega, numa chacota cordial. Durante um fim de semana, um grupo de "novos liberais" brasileiros - cuja maioria se intitula "ancap", anarcocapitalista - assistia a uma aula na pós-graduação em Escola Austríaca do Instituto Mises, em São Paulo. Foi esse curso que atraiu em 2016, em sua primeira turma, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, principal cabo eleitoral do pai, Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PSL. Para a turma atual, a segunda, que tem em seus quadros o "Sindicalista", apelido dado a um dos estudantes, o Bolsonaro candidato a presidente está longe de ser um mito e tampouco deve contar com os votos da maioria desses libertários anarcocapitalistas num primeiro turno. Quem está bem na fita dos liberais "ancap" é João Amoêdo, do Partido Novo. Mesmo assim, há várias restrições ao pré-candidato e muitos jovens reduziram o entusiasmo pela eventual candidatura depois que ele declarou ser contrário à liberalização das drogas. O mundo da política e as eleições de 2018 invadem as discussões dos estudantes da Escola Austríaca concebida pelo filósofo Ludwig von Mises (1881-1973), ainda que o foco da pós-graduação multidisciplinar não seja esse. Tentar encaixar aqueles que se interessam pelo liberalismo e pelo libertarianismo numa caixa segmentada da direita brasileira parece ser um reducionismo. No entanto, há a antipatia generalizada por políticas da esquerda, em especial pelos governos do PT. Não por uma questão ideológica em si, mas por enxergarem no estatismo e na lógica intervencionista da esquerda brasileira atitudes irracionais. Governos socialistas também são execrados e criticados sem piedade pela turma. Na aula sobre criptomoeda, em que se debateu também o conceito de lastro, passivos bancários e o monopólio da emissão de moedas pelos bancos centrais, sobrou para o atual mandatário da Venezuela: "Para o [Nicolás] Maduro, 'el lastro soy yo'", ironiza um estudante. Quando o assunto é o passivo bancário e o descasamento com os depósitos à vista feitos pelos clientes, eis que surge outro comentário, em meio a longas risadas: "Se for a Caixa Econômica Federal, é só usar o saldo do FGTS que resolve". A birra com o socialismo, mais especificamente com Karl Marx (1818-1883), é fruto de um debate teórico econômico que está escancarado no site do instituto, onde se pode ler artigos de colaboradores com os títulos "Acreditar em Ideias Socialistas Pode Tornar Você uma Pessoa Infeliz", "Por que o Socialismo Sempre Irá Fracassar", "Por que o Nazismo Era Socialismo e por que o Socialismo É Totalitário", "Karl Marx e a Diferença entre Comunismo e Socialismo - A Teoria Comunista É Ainda Mais Bizarra que a Socialista". Egresso da Unicamp, "uma universidade com viés muito de esquerda", o físico Fernando Puglia, de 34 anos, é o "Sindicalista". A alcunha surgiu de uma associação feita pelos colegas com o ambiente acadêmico que ele frequentou no passado. Puglia foi professor de cursinho pré-vestibular e recentemente decidiu "empreender e estudar economia". Alguns amigos empreendedores, mais liberais, lhe apresentaram o instituto durante o almoço num sábado com a turma da pós, numa churrascaria próxima ao Centro Universitário Ítalo Brasileiro (UniÍtalo), onde são ministradas as aulas. "Enquanto eu era da Unicamp, eu era de esquerda", diz. "Embora a esquerda tenha um discurso pró-pobre, a gente vê que os países que adotaram políticas à esquerda ruíram economicamente. São os países mais pobres, onde há mais fome, mais miséria. A conta não fechava. Puglia não gosta da divisão esquerda/direita. "Me considero anarcocapitalista, palavra que soa muito forte, mas que vai além de ser liberal." Em vez de direita/esquerda, ele prefere uma divisão autoritários/liberais. "Nós, libertários, temos algumas pautas que batem com a esquerda, como a liberação de drogas, o respeito a minorias e aos direitos individuais, sem nenhuma forma de discriminação." O ex-simpatizante da esquerda tem hoje horror ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes da condenação de Lula em segunda instância no fim de janeiro - que deve retirar o petista do pleito -, Puglia nem titubeava: se houvesse segundo turno entre Lula e Bolsonaro, seu voto iria para o ex-militar. Para Thaiz Batista, inexistência do Estado seria uma das melhores opções para o Brasil "Estamos num momento tão difícil no Brasil que a gente não pode ter mais um governo de esquerda. Se tivermos, a nossa economia vai ruir. Isso é um consenso." Bolsonaro não lhe agrada, mas se for a única maneira de evitar um "governo canhoto", ele encara. "Acho Bolsonaro arrogante, preconceituoso. E também acredito que ele é muito fraco economicamente. Só acho que está mais aberto a discussões. Economicamente, seria um governo mais liberal." Hoje, o voto de Puglia é de Amoêdo. Mas ele enfatiza que não tem político nem partido de estimação. "A minha família era petista", diz o estudante Nicolas Ribeiro de Lacerda, de 25 anos, formado em São Bernardo do Campo em engenharia. "A gente não faz essas revelações, Nicolas", repreende um amigo, no intervalo da aula. "Mas isso é pretérito imperfeito. Hoje minha mãe é 'ancap', como eu", ele responde ao colega. "Eu gostava do PSol, para você ter uma ideia. Votei no Plínio de Arruda Sampaio em 2010, quando tinha 18 anos. Essa ideia de justiça social, de ter o Estado como promotor, me encantava", diz Lacerda. Aos 15 anos, assumiu-se ateu, mesmo vivendo em um ambiente católico. O laicismo, diz, talvez o tenha aproximado mais das bandeiras da esquerda, pelo imenso respeito às liberdades individuais. "Eu não conhecia o pensamento liberal e tinha um preconceito muito grande porque achava que ser liberal era menosprezar os pobres. Cada um que se vire. Achava que ser liberal era ser de direita e ser de direita era pensar 'danem-se os pobres: quem tem dinheiro se dá bem e quem não tem que se ferre'." Em 2015, já formado em engenharia por uma instituição de ensino particular, após ter cursado o ensino médio em escola pública, Lacerda se envolveu com o debate do projeto das dez medidas contra a corrupção, patrocinado pelo Ministério Público Federal. A partir daí, pelas mãos de um amigo liberal, conheceu o Instituto Mises, pela internet. Passou a ler artigos, ver vídeos liberais. Virou fã do "youtuber" Raphaël Lima, um anarcocapitalista cujo canal, Ideias Radicais, tem alta audiência entre os liberais da pós. Dos estudos sobre liberalismo, Lacerda migrou para a atuação política e ingressou ao movimento Livres, que, antes da filiação de Bolsonaro, era ligado ao PSL. O jovem se tornou coordenador do movimento em São Bernardo. O Livres era uma "renovação" dentro da legenda. A entrada de Bolsonaro expulsou os jovens da sigla, mas o movimento segue, agora apartidário. "Hoje eu sou anarcocapitalista, sou contra o Estado per si, apesar de não ser revolucionário e de não achar que ele deve acabar de uma hora para a outra. Sou gradualista." O estudante almeja encarar uma disputa eleitoral em breve, como deputado federal ou estadual. Justiça social e Escola Austríaca combinam, em sua visão. "Bem-estar geral não é só coisa de esquerda." Esquerda nunca foi a praia do engenheiro mecânico Lucas Ferraz Helene Fagnani, de 35 anos, que chegou bem perto da social-democracia. Aos 11 anos, fez campanha para Mário Covas (1930-2001) na disputa vitoriosa pelo Governo de SP. Hoje, diz ter "horror" ao PSDB, considera o senador José Serra "uma porcaria, apenas melhor que a porcaria do Fernando Haddad (PT)". Filiado ao Partido Novo, também eleitor de Amoêdo, Fagnani diz que escolhas dos indivíduos, sejam quais forem, devem sempre ser respeitadas. O estudante tem um plano político: quer ser deputado federal, mas só vai encarar a disputa em 2022. Admite que precisa de mais tempo de preparação. "Não quero correr o risco de gaguejar na frente daquele bando de velhos no quarto mandato, um bando de estatistas mamando. Quero estar muito bem preparado. Preciso conhecer a política velha antes de estar lá dentro." Fagnani frequenta a Assembleia Legislativa de São Paulo e a Câmara Municipal como parte de sua rotina de imersão política. "Às vezes sou obrigado a aturar a imagem de um [Eduardo] Suplicy da vida na minha frente." Fagnani nutre a expectativa de renovação de 70% dos quadros do Congresso, com crescimento de candidatos com visão liberal. "O povo está cada dia mais cansado de Estado. Há uma velha política adotando o discurso liberal só porque está na moda." Fagnani é um dos mais radicais da turma. Defende, por exemplo, o porte de armas. "Liberação total das armas sem registro para todo mundo. Quanto mais o cidadão de bem estiver armado, menos violência tem." Mariangela Ghizellini, de 33 anos, líder do Livres em São Paulo, não aposta no êxito dos liberais em 2018, diferentemente de Fagnani. Os brasileiros, segundo ela, ainda se assustam com o discurso de rejeição ao Estado. "O discurso liberal precisa ter um caráter mais palatável. O sistema educacional do Brasil é muito positivista. Para termos sucesso, não será nesta eleição." "Achava que ser liberal era menosprezar os pobres", diz o estudante Nicolas Lacerda, de 25 anos A aceitação das teses liberais será gradual, prevê. "Você precisa chegar nas pessoas e mostrar que existe outra forma de pensar a vida, menos dependente do Estado. Onde o Estado dê o mínimo possível, mas faça benfeito e pare de pesar principalmente sobre os mais pobres. Hoje quem paga mais imposto é quem ganha até dois salários mínimos." Formada em marketing de moda, em Londres, Mariangela ainda não tem um candidato à Presidência, mas carrega algumas certezas: não vota nem em Lula nem em Bolsonaro, mas num segundo turno entre Bolsonaro e Alckmin, opta pelo tucano. "Você prefere morrer esfaqueado ou com um tiro?", diz o estudante Matias Negrão Kux, de 26 anos, engenheiro eletrônico, quando questionado sobre quem escolheria num eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro. "É uma decisão horrível. Não sei." A despeito da "desilusão amorosa" com João Amoêdo, por causa do tema liberalização das drogas, Kux ainda vota no pré-candidato do Partido Novo. Sem grandes expectativas para o quadro eleitoral de 2018, o estudante quer apenas que as ideias liberais ganhem espaço no Brasil. "E estão ganhando." Foi depois de entrar para o ramo de finanças que o estudante começou a se interessar por economia e política. Por recomendação de seu chefe, passou a ler textos e artigos dos jornalistas Ricardo Boechat, Reinaldo Azevedo e Leandro Narloch. "Eu queria entender, até para debater com as pessoas, o que era capitalismo, o que era socialismo, o que era inflação, o que foi o Plano Real." Kux é um dos críticos mais ácidos à família Bolsonaro. Diz que o filho do deputado parece não ter aprendido nada no instituto. "O Eduardo Bolsonaro fala muito sobre o governo tomar papel ativo e de liderança no desenvolvimento econômico. É o contrário do que a Escola Austríaca prega", diz. "Sei que o Jair Bolsonaro fala em protecionismo, nacionalismo, tópicos que a Escola Austríaca não concorda. Economicamente, a família Bolsonaro está muito distante de uma política liberal. Com relação às liberdades individuais, essa distância é ainda maior." A confraternização da turma, um churrasco em dezembro do ano passado, ocorreu no dia anterior ao último fim de semana de aulas. "Em 90% do tempo as discussões foram sobre política", diz a estudante Thaiz Batista, de 25 anos, graduada em relações internacionais pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec). Bitcoin é outro tema que move paixões dos alunos e, em boa parte das festinhas, o debate sobre cancelamentos de exposições em museus e arte e pedofilia foi predominante. "Somos uma turma que adora falar de economia e política. Eu diria que a maioria tem uma visão um pouco mais à direita", diz Thaiz. A direita, porém, não pode ser encarada como um espectro homogêneo, afirma a estudante. "Não temos ninguém estritamente esquerdista fazendo a pós. Mas são pessoas que conseguem se comunicar bem com a esquerda e que tentam buscar isso." Há muitas posições divergentes no grupo, mas a convivência é tolerante, segundo a aluna, que foi à aula com uma camiseta estampada com um X no rosto do revolucionário Che Guevara (1928-1967). A jovem liberal, que morou recentemente em Nova York e em Boston e atualmente trabalha no Mises, diz que não abre mão de fazer mestrado ou doutorado no exterior. "O que seria a melhor opção que eu enxergo hoje: um Estado que não atrapalha a vida das pessoas, ou até mesmo a não existência do Estado. Mas não vamos conseguir acabar com o Estado de um dia para o outro. Então qual é a segunda melhor opção? O Estado mínimo." "Ainda assim é um trabalho difícil, não vamos conseguir em 2020. Então qual seria a terceira melhor opção? É começar aos pouquinhos, mudando a política pública, acabando com o intervencionismo de alguns setores", diz. Se pudesse, a jovem gostaria de "apertar o botão vermelho e acabar com o Estado de uma vez". "Vermelho não!", grita uma amiga da turma. Se fosse conselheira de presidente da República, a estudante começaria "com a privatização de várias estatais", sugeriria cortar as cadeiras do Congresso "pela metade" e também uma drástica revisão nas políticas do BNDES. Mexer no Bolsa Família não estaria entre suas prioridades, pelo baixo impacto fiscal. Não são apenas adeptos da direita que se interessam pela Escola Austríaca, afirma Hélio Beltrão, fundador-presidente do Instituto Mises e ex-executivo do Banco Garantia. "A Escola Austríaca, como toda escola de ciência econômica, procura ser - e é -, na sua essência, livre de juízo de valor. Ela não fala sobre o que deve ser. Ela fala sobre o que funciona, o que não funciona e sobre as consequências de determinadas decisões da sociedade e de políticas públicas." O curso de pós-graduação, afirma o economista, não foi programado e pensado para disseminar pensamentos políticos. No site do Instituto Mises pode-se colher a seguinte explicação: Ludwig von Mises criou uma "ciência dedutiva e integrada para se entender a economia, baseada no axioma fundamental de que seres humanos individuais agem propositadamente para atingir as metas desejadas". Entre os alunos, há antipatia generalizada por políticas da esquerda, em especial pelo PT, como o estatismo e o intervencionismo Mises descrevia as coisas, "sem defender nenhum ponto de vista em particular", mas concluiu que "a única política econômica viável para a raça humana seria uma política de laissez-faire irrestrito, de livre mercado e de respeito total aos direitos de propriedade privada, com o governo estritamente limitado a defender a pessoa e a propriedade dentro de sua área territorial". O socialismo, para Mises, "seria desastroso para a economia moderna porque a ausência de propriedade privada da terra e de bens de capital impediria qualquer tipo de precificação racional, ou de estimativa de custos". O conteúdo programático de política na pós-graduação, de 18 meses, é pequeno, se comparado a outras disciplinas, afirma Beltrão. "A Escola Austríaca entende que há pontos de contato com outras ciências sociais, como o direito. Com muita isenção tentamos falar sobre filosofia política também. A Escola Austríaca não tem uma posição de filosofia política, mas as pessoas demandam essa visão. Tentamos discutir um pouco essa questão, mas sem entrar nesse eixo unidirecional esquerda/direita." Sobre a participação de Eduardo Bolsonaro na primeira turma e as consequências para a imagem do instituto, o presidente do Mises reage com naturalidade. "Rejeitar aluno não faz parte da minha religião. Vejo com bons olhos que gente que não tenha visões que coincidam com a Escola Austríaca queiram estudar, principalmente um deputado federal. São todos parlamentares muito bem-vindos, do PSol, do PT." O Mises é basicamente um local que atrai libertários, diz Beltrão. "Sei que o Eduardo [Bolsonaro] não necessariamente tem a mesma visão geral dos libertários, mas em termos econômicos é bastante alinhado. E ele foi um bom aluno." A pós-graduação não é sobre libertarianismo e tem caráter estritamente acadêmico, enfatiza. Para Beltrão, há muita confusão de conceitos sobre a direita e sobre a diferença entre conservadores e libertários. Há conservadores de visão britânica e os conservadores à moda brasileira, pontua. Ele, por exemplo, conta que quando se assume como libertário (ao estilo britânico), defensor do casamento gay, da descriminalização das drogas e da ideia de que nem sempre propriedade intelectual é compatível com propriedade privada, acaba confundindo quem é de direita. A "garotada jovem", segundo ele, não se encaixa nessas classificações de direita/esquerda e nem se associa a ranços partidários. "Eles não têm essa âncora como premissa. Eles pensam o seguinte: o libertarianismo me deu uma visão de mundo que eu não conhecia, mas é o ideal, um tanto utópico, de respeito à propriedade, trocas voluntárias, sem uma imposição", diz. "A pessoa que vem para o curso tem essa visão, isso não tem nada a ver com 'eu quero ser contra essa esquerda que está aí'. Não é nada disso." A caminho da churrascaria com os alunos durante o intervalo do almoço, o professor de teoria monetária, Fernando Ulright, de 37 anos, mestre em Escola Austríaca (em Madri) e membro do conselho de administração do Mises, afirma que essa linha explica de forma mais convincente "como o mundo funciona, como as políticas públicas podem repercutir na economia e quais os efeitos positivos ou não de instituições". Ulright prevê 2018 como "um período eleitoral bem interessante, que pode dar uma arejada no quadro de deputados e senadores". Talvez alguns novos políticos, segundo ele, possam "questionar dogmas que até hoje estão presentes na sociedade, como a ideia de que privatização é ruim, quando é justamente o contrário". O docente também rejeita vinculações simplistas entre direita e liberalismo. "Vejo muitas lacunas e falhas tanto em gente de esquerda quanto em gente que se diz de direita. Eu não me considero nem de direita, nem de esquerda. Como estão hoje concebidos, nenhum dos dois lados responde aos problemas que temos hoje na sociedade." Coordenador da cadeira de ciência política da pós-graduação, Bruno Garschagen, de 42 anos, afirma que o curso é dedicado aos que se interessam pelo pensamento liberal. A maioria dos estudantes, observa, pode até politicamente não se declarar liberal ou de direita, mas são pessoas simpáticas ou adeptas ao liberalismo brasileiro. Garschagen faz o mesmo alerta de Hélio Beltrão: "A direita brasileira não é uma coisa só. Há grupos bastante distintos dentro deste grande círculo".