Prefeitura retoma programa de limpeza de rios, feito em mutirões com moradores de favelas

Publicado em 19/04/2018 por O Globo

Em grande parte escondido, curso do Rio Carioca tem trecho aberto no Largo do Boticário, no Cosme Velho - Brenno Carvalho / Agência O Globo

RIO - Alvos constantes de poluição e de más práticas de preservação, os rios da cidade têm nova chance de se recompor. A Secretaria municipal de Conservação e Meio Ambiente (Seconserma) retomou o programa Guardiões dos Rios, extinto em 2016 e agora batizado como Conservando Rios. O projeto manterá sua essência: empregar moradores de comunidades que farão o trabalho de limpeza de lixo superficial de rios e canais e ajudarão na educação ambiental da população. A diferença, agora, é que os agentes vão ser contratados diretamente pela prefeitura. Antes, isso era feito por meio de ONGs.

Os dois primeiros rios a serem atendidos pelo projeto foram o Carioca (que, com cerca de 5,6km de extensão, segundo a Fundação Rio Águas, nasce no Parque Nacional da Tijuca e deságua na Baía de Guanabara, na altura do Flamengo) e o Piraquara, em Realengo, na Zona Oeste. O programa contemplará um total de 25 cursos d'água na primeira fase.

- Escolhemos o Rio Carioca para iniciar o projeto por uma questão emblemática. Ele está ligado à História da cidade há muito tempo (durante toda a época colonial, foi a principal fonte de água doce da população) - diz Humberto Antunes, gerente de recursos hídricos e sólidos da Subsecretaria de Meio Ambiente, ramificação da Seconserma.

O esquema de operação pode variar em cada um dos 25 rios, dadas as suas particularidades, mas algumas atribuições são iguais. A limpeza, por exemplo, não deve se limitar à remoção de lixo na faixa d'água, estendendo-se a galerias e ralos de rua. No Carioca, o programa terá a participação de moradores das comunidades do Cerro-Corá e dos Guararapes, ambas no Cosme Velho. Embora o rio tenha somente três pontos a céu aberto (na Floresta da Tijuca; no Cosme Velho, em frente ao Largo do Boticário; e no Aterro do Flamengo), o projeto vai se concentrar no trecho inicial, mais próximo das favelas, eventualmente se dirigindo à segunda parte. O trabalho já está em andamento, de acordo com Antunes, e ocupa uma faixa que vai de 2,5km a 3,5km.

A ação de limpeza também prevê um trabalho educativo com os moradores das comunidades, pensado com a intenção de alertar para as consequências de jogar lixo nos leitos. Essa parte fica a cargo de um agente ambiental, que assume a frente de serviço e não se limita apenas à vizinhança, estendendo as visitas instrutivas a escolas da rede pública. Antunes informou, no entanto, que a parte escolar ainda não começou e deve ser iniciada em maio.

- O programa deixou de ter um enfoque único na limpeza de resíduos e agora desempenha uma postura de mais conservação. Além do representante educativo, cada mutirante é um agente ambiental, e isso representa uma mudança de paradigma em relação ao que havia antes - conta o representante da secretaria. - A equipe mais eficiente não é a que mais retira lixo, mas a que faz menos gente jogar.

Os grupos de trabalho são formados pelos limpadores (no Rio Carioca, são oito), um agente ambiental e um encarregado, a quem os outros se reportam. Os mutirantes e agentes ganham uma bolsa-auxílio de R$ 1 mil, e o responsável, de R$ 1.250. Todos são indicados pela própria comunidade, em decisão tomada por entidades competentes como a associação de moradores, e avaliados em seguida pela secretaria.

O programa também vai usar recursos da Ternium, mas apenas na compra de equipamentos. A maior parte virá do orçamento próprio da pasta. No total, serão cerca de R$ 2 milhões para um ano de serviço.

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