O que o Saara tem com a Amazônia?

Publicado em 19/06/2019 por Diário da Amazônia

O deserto do Saara, no norte do continente africano, poderia ser um nada e improdutivo se visto apenas como areia quente. Mas a Nasa (Agência Aeroespacial Americana) divulgou nesta semana um vídeo com imagens de 2003 e 2007, que mostram a revoada de poeira do deserto que cruza o oceano Atlântico e despenca sobre a Amazônia. Cientista acreditam que a nuvem de poeira que viaja mais de 2000 quilômetros é responsável pela fertilização da região amazônica.
A Nasa estima que 182 mil toneladas de areia do Saara que atravessam o oceano, dando uma média de 28 milhões por ano. Toda essa areia reabastece as camadas nutrientes que alimentam a vegetação da maior floreta tropical do mundo. Essa unidade entre o maior deserto com a maior floresta intrigou cientistas por mais de uma década até compreenderem o fenômeno.
Outras pesquisas muito mais antigas revelam que os sedimentos lançados pelo rio Amazonas no mar (no arquipélago de Marajó), são responsáveis pela manutenção da costa da Flórida (EUA). A lama do rio barrento também fertiliza e sedimenta outro continente, fechando um ciclo de contribuições naturais entre Saara, Amazônia e América do Norte.
São muitos os mistérios naturais ainda desconhecidos e que podem ser fundamentais para a manutenção de ciclos e regiões no Planeta. Os investimentos em pesquisas são fundamentais para descobertas revolucionárias ou até paradigmáticas. Quanto mais pesquisa, mais teremos informações que podem explicar a atual situação sobre a Terra, podendo contribuir com dados que possam direcionar o destino de sobrevivência no globo.
Porém, o desmatamento da Amazônia está muitíssimo acelerado o que pode interromper ciclos importantes ainda não explicados, e de doutro lado, o Deserto do Saara é ignorado como parte improdutiva do Planeta que para nada serve, enquanto que seus mistérios podem revelar ciclos ainda maiores do que os já conhecidos.
A humanidade é muito contraditória. Destrói rápido, abandona com desprezo, especula o imaginário, discrimina as forças de idéias, interrompe os saberes, e enfim, o homem vai vivendo sobre a Terra, se reinventado e se movimentando de século em século. Como estamos na era digital, onde as informações instantâneas, as decisões e ações também estão aceleradas o que podem gerar bens e maldições. Tudo precisa de equilíbrio e de cautela visando a vida futura na Terra.