Feira em SP expõe robôs, games e aplicativos que incentivam e facilitam o aprendizado

Publicado em 10/05/2018 por O Globo

SO São Paulo ( SP ) 09/05/2018 Bett EDUCAR , Feira de educação. Robo da ETC Brasil. Foto : Edilson Dantas / Agencia O Globo Foto: Agência O Globo

Feira em SP expõe robôs, games e aplicativos que incentivam e facilitam o aprendizado

Bett Educar traz cerca de 230 expositores na edição deste ano

SO São Paulo ( SP ) 09/05/2018 Bett EDUCAR , Feira de educação. Robo da ETC Brasil. Foto : Edilson Dantas / Agencia O Globo - Agência O Globo

SÃO PAULO- Quem passeia pela Bett Educar, feira de educação que acontece em São Paulo até sexta-feira, sai com a impressão de que a robótica é a grande febre do setor. O evento, que está em sua 25ª edição, é uma versão latino-americana de uma das principais feiras sobre educação do mundo. Sua especialidade é reunir empresas que desenvolvam tecnologias e métodos inovadores para facilitar o aprendizado dentro e fora da aula.

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Dentre os 230 expositores da edição deste ano, despontam aqueles - nacionais e internacionais - que trabalham com pequenas ferramentas, engrenagens e peças de montar. Eles são representantes do que, no jargão do setor, ficou conhecido como "cultura maker": aquele que defende que, para aprender melhor, a criança precisa colocar a mão na massa. De preferência, montando e programando robôs. É um mercado que evoluiu rapidamente nos últimos anos:

- Vimos várias empresas surgirem nessa área nos últimos cinco anos - diz Daniel Escaleira, diretor executivo da Viamaker, uma empresa que vende kits de robótica educacional para escolas. Com quatro anos de atividade, a empresa tem 80 clientes espalhados pelo país. - O nosso objetivo é permitir que o aluno veja, no mundo físico, a teoria que o professor discutiu com livros.

HABILIDADES ÚTEIS

De maneira geral, as empresas presentes na Bett pensam na robótica como uma maneira de ajudar o professor a trabalhar conceitos abstratos, como ondas eletromagnéticas, que são essenciais para o funcionamento das máquinas.

A robótica também é entendida como uma forma de desenvolver, nos alunos, capacidades úteis em diferentes áreas, como a habilidade de resolver problemas e de pensar criativamente:

- Nenhuma criança vai conseguir um emprego simplesmente porque aprendeu a programar um dos nossos robôs - sublinha o americano Jason McKenna, diretor de estratégias educacionais da Robomatter, uma das empresas presentes à feira. - O importante é que o aluno descubra como usar os conceitos trabalhados nessas atividades, como pensamento computacional e a habilidade de trabalhar em grupo, e aplique isso a outros âmbitos da vida.

Criada por uma equipe da Universidade Carnegie Mellon, dos EUA, a Robomatter cria atividades com robótica para escolas, numa tentativa de estimular os alunos a se interessar por ciências exatas:

- Nossas pesquisas mostraram que precisamos conquistá-los desde cedo, e a robótica é uma das maneiras de fazer isso - ressalta McKenna.

Segundo Lucia Dellagnelo, presidente do Centro de Inovação para a Educação Brasileira, o interesse de pais e educadores por robótica aumentou nos últimos anos conforme crescia a consciência de que é importante preparar as crianças para trabalhar com linguagens de programação, uma competência que ganha relevância no mercado de trabalho. A atual febre é também reflexo de uma mudança nos desejos dos estudantes:

- O aluno, hoje, quer uma aula baseada em projetos, em problemas reais - diz Lucia.

Segundo ela, a procura por essas estratégias não é privilégio de escolas particulares. No começo do ano, conta, o MEC adquiriu kits de robótica que devem ser distribuídos para a rede pública. Agora, o essencial agora é pensar como as atividades dialogam com as demais disciplinas:

- A robótica pode ser um recurso educacional valioso - assinala. - Mas é importante que esteja alinhada com aquilo que o aluno aprende nas demais disciplinas.