No agro, a generalização é um grande risco na comunicação

Publicado em 02/05/2019 por Canal Rural

Cerca de 602 cientistas assinaram um documento e publicaram na Revista Science, num texto redigido pela bióloga Laura Kehoe, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que a Europa, o segundo maior cliente do Brasil, precisava parar de importar desmatamentos.
Isso está ligado aos dados de 2018, onde ocorreram 7900 km² de desmatamento na Amazônia. E nesse documento, os cientistas exigem três coisas:
1) Direitos humanos;
2) Rastreabilidade aperfeiçoada;
3) Participação de cientistas nas políticas públicas, ambientais e comunidades locais e indígenas.
Esses desejos humanistas e ambientalistas são legítimos. Mas, onde está o erro?
Em pegar esse desmatamento, onde 80% dele está ligado ao crime, como grilagem de terras, terras não atribuídas a nenhum dono, ou então a dezenas de donos; desmatamento em assentamentos onde não existe a viabilidade econômica nem a posse dos lotes, estimulando o desmate para sobreviver, e esse desmatamento se associa intensamente ao comércio ilegal de madeira.
Comércio esse que precisaríamos descobrir urgentemente quem são os seus consumidores. Onde estão os consumidores do crime da madeira ilegal da Amazônia?
A generalização do fato e a associação dele com o agronegócio é o que me parece um grave erro, e poderíamos fazer uma ilação disso com protecionismo econômico não tarifário dos interesses europeus contra o agronegócio brasileiro.
Essa generalização de que os US$ 500 milhões de dólares das nossas exportações bovinas para a Europa sejam oriundas desses desmatamentos, ou de que os grãos, frangos e suínos sejam oriundos de exploração desumana e não sustentável do Brasil.
Significa um erro tosco de generalização, colocando no crime todo o agro brasileiro e o povo do país.
Tão tosca a relação dos crimes realizados pela grilagem, comércio ilegal da madeira e desmate em assentamentos sem viabilidade econômica, como se fôssemos no Brasil um país onde isso poderia ser generalizável para todo o agronegócio.
Quero ressaltar que acabei de conhecer um dos pioneiros da pecuária sustentável da Amazônia, em Alta Floresta e Carlinda, no Mato Grosso, um dentista que virou pecuarista, Dr. Celso Bevilaqua.
Na Amazônia existe a Pecuária Sustentável da Amazônia – PECSA, por exemplo. E para que os brasileiros saibam e os cientistas europeus também, recebemos investimentos de fundos de clima Althelia, Banco Europeu de investimentos, além de outros investidores.
Na pecuária sustentável da Amazônia o que a carta dos cientistas afirma não cabe e não permite qualquer generalização e conexão com o crime, além de obras preciosas de compromissos com a sustentabilidade em exemplos como de uma Agropalma.
A ilegalidade na Amazônia é assunto de lei, de justiça, e não dos produtores brasileiros que, na sua gigantesca e imensa maioria, são sérios e valorosos. Aliás, oriundos de todas as raças do planeta, inclusive da Europa, essa que nos quer dar lições de moral, – como se ainda tivesse a autoridade real da corte -.
Você toma uma parte do todo e generaliza a parte pelo todo, como na velha brincadeira da lógica insana.
Por José Luiz Tejon Megido