Sri Gurudev Sri Srimad Bhaktivedanta, mestre espiritual: "Mantras servem para demonstrar o amor a Deus"

Publicado em 23/01/2018 por O Globo

"Sigo a filosofia devocional de Bhakti Yoga desde 1997. Não tenho residência fixa, viajo ao redor do mundo pregando ensinamentos de acordo com o meu próprio exemplo. Me formei em Ciências Econômicas pela Universidade de Calcutá em 1980, mas nunca segui a carreira. Não era minha vocação."

Conte algo que não sei.

Existem dois tipos de sons. Existem os sons materiais, que estimulam o corpo e a mente, como as músicas ou o barulho de pessoas falando. Enquanto conversamos, por exemplo, sentimos a vibração do que estamos dizendo, isso é material. E existem os sons transcendentais, que vêm da alma, como os mantras, que servem para demonstrar o amor a Deus.

O que é a cultura védica?

A cultura védica surgiu na Índia. Ela é baseada em quatro escritos conhecidos como Vedas, que continham ensinamentos e mantras. Acreditamos que através da Bhakti-yoga, conhecida como Yoga do amor, podemos atingir a comunhão divina e a sabedoria. Ou seja, com os mantras e a prática da yoga, nos desprendemos do mundo material.

Nós vivemos em um país de maioria cristã. O Deus aque vocês se referem é o mesmo?

Na cultura védica, Deus está em tudo, um devoto pode ver Deus em todos os lugares. Não importa muito como você chama, se é Deus ou Alá. Para a Bíblia, por exemplo, Deus é amor e amor é Deus. Da mesma forma, a nossa cultura védica explica que Deus pode dar amor para todos. E ensina maneiras de todos amarem Deus.

Quando você começou a se interessar por essa filosofia?

Quando me formei em Economia, eu tinha 21 anos e resolvi começar a minha jornada. Eu não queria exercer a profissão. Na verdade, eu não queria seguir nenhuma carreira. Eu não pertencia a esse mundo em que as pessoas buscam dinheiro. Eu não tinha nenhum interesse material e só queria passar mensagens de amor às pessoas. O amor é contínuo e é isso que eu resolvi procurar na minha vida: o amor. Deixei completamente no passado o meu diploma.

E como você acredita que pode ajudar as pessoas repassando os ensinamentos da sua cultura?

Acho que é tudo sobre as pessoas focarem em achar a sua a paz. Muitas pessoas querem ser iguais às outras. Nós acreditamos que se você focar em amar a Deus sobre todas coisas, você vai encontrar essa paz. Nós procuramos isso através dos mantras, mas as pessoas podem encontrar suas próprias maneiras.

Você já veio algumas vezes ao Brasil. O que pode dizer sobre o nosso país? Há algo parecido com a Índia?

Algumas pessoas não sabem, mas as frutas que encontro aqui são muito parecidas com as da Índia. Banana, jaca, mamão papaia, manga... Acho que, por serem povos que cresceram, em sua maioria, cercados pela natureza, existem muitas coisas em comum. São pessoas simples, gentis, que demonstram muito amor e afeição aos outros. Já faz mais de 20 anos que venho aqui. Conheci o Sul e o Sudeste, mas também o Norte. Adorei Manaus, Boavista, Belém. Creio que conheço melhor o país do que alguns brasileiros.

E o que observou viajando tanto?

Na Inglaterra e nos Estados Unidos, para citar dois países, a natureza das pessoas as impede de se misturar com os outros. Na América do Sul, pelo contrário, as pessoas são mais abertas às outras, gostam de conhecer os estranhos, te tratam bem, oferecem amor e até te convidam para ir às casas delas.Me sinto melhor por aqui.