US$ 20 bi para acalmar mercado

Publicado em 08/06/2018 por Valor Online

US$ 20 bi para acalmar mercado

Por Lucinda Pinto, José de Castro, Lucas Hirata, Eduardo Campos e Fábio Pupo | De São Paulo e Brasília

Em mais um dia de muito nervosismo no mercado financeiro, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, anunciou que aumentará em US$ 20 bilhões, até o fim da próxima semana, o volume de operações de swap, que equivalem à venda de dólar no mercado futuro. Assim, o montante total mais do que dobrará em relação às ofertas feitas desde o dia 2 de maio - de US$ 14,1 bilhões -, quando se intensificou a turbulência que afeta os mercados emergentes.

O objetivo do BC é conter a desvalorização do real frente ao dólar, que desde janeiro já atinge 15,54%. Só ontem, a moeda americana teve apreciação de 2,25%, fechando o dia cotada a R$ 3,9233, o valor mais alto desde 1º de março de 2016.

Ao anunciar as mudanças na noite de ontem, o presidente do BC informou, como antecipou ontem o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, que o BC não usará a política monetária, isto é, o aumento da taxa básica de juros, para conter a depreciação do câmbio. Ilan disse, ainda, que o BC pode vender reservas cambiais - hoje, em US$ 382 bilhões.

"Não temos preconceito com nenhum instrumento, sejam leilões de swap, de reservas ou ofertas de linha", disse o presidente do BC. Ele acrescentou que, se preciso, o total de intervenções no mercado de câmbio pode levar o estoque desses contratos além de US$ 110 bilhões, nível alcançado entre agosto de 2013 e março de 2015.

Os outros mercados também amargaram fortes perdas. A bolsa teve queda de 2,98%. Chegou a recuar 6,5% durante o dia, o que fez algumas empresas aproveitarem a queda das cotações para recomprar ações. No mercado de juros futuros, as taxas voltaram a subir. Algumas chegaram a subir mais de 100 pontos-base, atingindo os limites diários de oscilação.

O mercado de juros chegou a projetar alta de 0,75 ponto percentual na Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, em 20 de junho. No fim do dia, a aposta recuou para elevação de 0,50 ponto. Hoje, a Selic está em 6,5% ao ano.

O fato de o mercado apostar num cenário como esse indica o nível de desconfiança em relação às orientações do BC. Especulou-se, inclusive, a possibilidade de o Copom convocar reunião extraordinária para elevar os juros, mas tudo foi negado pelo presidente do BC.

"A apreensão aumenta ainda mais porque as pessoas veem o que a Turquia fez [ontem]", disse um operador, referindo-se à inesperada alta de juros promovida pelo BC turco.